Segurança Privada defende punições mais rígidas contra assaltos a carros-fortes e caixas eletrônicos

15 de Setembro de 2017 às 14:20

“A gente está perdendo uma guerra para 10 mil pessoas do crime organizado. Uma vergonha”. Assim, o vice-presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist) para Assuntos de Secretaria, Odair Conceição, iniciou a sua apresentação em audiência na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados, na quarta-feira, dia 13 de setembro. O representante da Fenavist foi um dos debatedores que discutiram a questão dos assaltos a carros-fortes e a caixas eletrônicos como uso de explosivo e armamentos pesados.

Segundo Odair Conceição, é necessário que haja uma integração entre as forças de segurança pública. O representante da Fenavist também sugeriu um maior controle das empresas que utilizam explosivos e transportam o material com pouca proteção, o que facilita o acesso por parte de criminosos. 

Ao defender um maior rigor na punição de quem pratica crimes com armas de guerra e explosivos, Conceição lembrou que se a atividade de transporte de valores parar, o Brasil paralisa, já que não haverá dinheiro para população. Além disso, são os valores roubados que alimentam uma série de outros crimes, como o tráfico e a prostituição. 

“Por que esse crime não é um crime hediondo? Que não haja progressão de pena. O sujeito é incentivado. Agora, cada um quer ter o seu fuzil”, afirmou.

O presidente da Associação Brasileira de Transporte de Valores, Marcos Emanuel Torres de Paiva, informou que, de 2009 a 2017, criminosos roubaram mais de R$ 600 milhões nesse tipo de operação.

Ele lembrou que são as empresas de transporte de valores que lidam com a parte mais perigosa de levar o dinheiro e abastecer caixas eletrônicos.

Marcos Emanuel destacou ainda o nível de especialização dos criminosos que realizam ações coordenadas, sempre em grupos de mais de 15. Em 2016, 46 vigilantes foram feridos e dez foram mortos por essas quadrilhas.

Luiz Flávio Zampronha, da Polícia Federal, afirmou que combater o crime organizado é fácil desde que as forças policiais estejam equipadas e tenham recursos para a capacitação de seus agentes.

Proteção da sociedade
Um dos autores do requerimento para a realização da audiência, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) defendeu que os agentes de segurança não sejam punidos no cumprimento de seus deveres.

"Não é possível que o Estado brasileiro coloque a arma na mão de um agente de segurança e, ao agir para defender a sociedade, ele primeiro tome um processo, depois tenha sua arma retirada, todas as vantagens suprimidas enquanto o processo se desenvolve”, afirmou.

Na opinião do deputado, ou a sociedade autoriza o agente a defendê-la “ou então não podemos colocar os homens e as mulheres na rua para morrerem feito moscas."

Investimentos
Já o representante da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Leandro Vilain, informou que foram investidos R$ 9 bilhões em segurança privada e que há investimentos também em tecnologia para aumentar o número de transações por meio eletrônico, diminuindo assim a circulação de dinheiro.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores de Segurança Privada sugeriu aos parlamentares alterações na legislação vigente para permitir que os vigilantes usem armamentos de calibre mais alto.

Ascom-Fenavist (Com informações da Agência Câmara)