Paralisação da PM no ES reforça a importância do plano de segurança comercial

20 de Fevereiro de 2017 às 11:17
Fred Loureiro - Secom/ES

A população capixaba se esforça para voltar à rotina, mas, além da sensação de insegurança, agora lida com o trauma vivenciado por uma onda de terror no Espírito Santo que avançou por diversas cidades durante os dez primeiros dias da paralisação da Polícia Miliar. Com mais de 140 mortos e ainda contabilizando o prejuízo que já chega à casa de milhões na Grande Vitória – seja por saques às lojas ou pela impossibilidade de abrir os estabelecimentos durante a semana mais crítica do motim da PM – comerciantes recorreram à segurança privada para voltar a abrir as portas.

Desde o dia 03 de fevereiro, quando familiares começaram a fazer barreiras em quartéis e postos para impedir o trabalho ostensivo da Polícia Militar nas ruas capixabas, mais de 2 mil vigilantes já foram recolocados no mercado de trabalho para reforçar contratos já existentes com as empresas de segurança privada, para atuarem em estabelecimentos comerciais, condomínios residenciais e repartições públicas.

A informação é do presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada (Sindesp-ES), Jacymar Daffini Dalcamini, que lembrou que esse reforço foi dado pelo contingente de reserva remanejado dentro dos quadros existentes nas  empresas e através de novas contratações ocasionais. Com isso, num esforço incomum para não deixar de todo a sociedade desamparada, segundo Jacymar, houve um aumento de cerca de 20% no quadro efetivo disponível para contratos vigentes e mais 10% de vigilantes foram reinseridos no mercado para atuarem nessas novas demandas.

"Dos cerca de 10 mil vigilantes desempregados, com curso de qualificação e certificação em dia no Estado, parte disso foi readmitida para atuar principalmente em comércios, casas lotéricas, residências/condomínios e lojas de eletrodomésticos. No entanto, em função do caos social, a demanda é muito maior e os comerciantes chegaram a buscar a vigilância clandestina", explicou o presidente, se referindo a dificuldade em atender a urgência de todos em função de exigências legais, como prazos contratuais.

"Entendemos que a contratação de segurança clandestina não é a solução ideal e que os comerciantes estão agindo diante de um estado de necessidade, mas pedimos que essa não seja uma regra e que, assim que a convulsão social se estabilizar, voltem a avaliar a elaboração de um plano de segurança comercial, para que a segurança privada qualificada e especializada atue na prevenção e nos vácuos deixados pela segurança pública, pois essa é a vocação de nosso segmento: atuar de forma complementar às forças públicas de segurança", afirmou.