Fenavist discute crimes contra Transportadoras de Valores no Congresso Nacional

5 de Dezembro de 2016 às 11:19
O vice-presidente da Fenavist para assuntos de Secretaria, Odair Conceição, foi um dos responsáveis por apresentar as preocupações do segmento

O crescimento de roubos a carros-fortes e as bases de empresas de transportadoras de valores tem preocupado todo o segmento. O tema, inclusive, entrou na pauta de prioridades da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist). Principal representante do setor no País, a Fenavist, em conjunto com entidades parceiras, deu um passo importante para tentar solucionar o problema. Um trabalho de articulação junto ao Congresso Nacional permitiu a realização de audiência pública na Comissão de Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados com o tema: “Federalização dos Crimes Praticados Contra Transportadoras de Valores”.

Realizada no último dia 30 de novembro, a audiência contou com representantes das forças públicas de segurança, trabalhadores e empresários. O vice-presidente da Fenavist para assuntos de Secretaria e vice-presidente da Associação Nacional das Empresas de Transporte de Valores (ANTV), Odair Conceição, foi um dos responsáveis por apresentar as preocupações do segmento.

Ao longo da explanação, Odair Conceição reafirmou a importância da mudança nas normas para que as empresas de transporte de valores possam se proteger de forma mais adequada. Ele lembrou que os assaltantes utilizam armas muito poderosas como a ponto 50. Enquanto isso, por lei, as empresas só podem usar calibre 12. “Um poder de fogo que eu posso dizer que é covarde perto da estrutura de reação que a unidade tem”, explicou.

O dirigente da Fenavist abordou outro ponto muito importante, que é o fato dos assaltos as transportadoras de valores sustentarem outros crimes. “Alimenta o tráfico de drogas, alimenta o tráfico de armas, alimenta a prostituição e uma série de outras cadeias de crimes”.

Conceição explicou aos deputados que essa série de roubos e a forma com que eles são apresentados faz com que a população tenha uma visão errada do setor. “As mortes que nós estamos vendo dos trabalhadores, a destruição do patrimônio que estamos vendo, a sociedade está sendo vítima porque ela está junto nesse processo.” 

Para tentar construir uma solução para o problema, Odair Conceição apresentou algumas propostas. Para ele, é preciso tornar os crimes contra transportadora de valores federal. Além disso, solicitou que as empresas sejam autorizadas a utilizar uma blindagem maior nas bases operacionais. Outra sugestão é a permissão para utilizar dispositivos que destruam o dinheiro nos casos do assalto (com reposição pelo Banco Central a empresa posteriormente) para inibir as ações.

Ele propôs dois ajustes na questão do armamento: a autorização para que os vigilantes que fazem a segurança das bases das empresas de transporte valores possam usar fuzil e o agravamento da pena para os bandidos que forem pegos portando armas de utilização restrita. “Esse poderio de arma não pode ser atrativo como é hoje. Se roubar um quilo de feijão no supermercado ou andar com um saco de dinamite nas mãos a penas serão parecidas. Não são muito distintas”, argumentou o vice-presidente para assuntos de Secretaria da Fenavist.

As propostas apresentadas receberam o apoio do presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte de Valores (ABTV), Marcos Paiva, que complementou as sugestões. Ele propôs a criação de uma comissão permanente com a participação das policiais e entidades de classe para servir de base para um serviço de inteligência. O representante da ABTV também lembrou a importância dessa parceria para a troca de informações, já que uma mesma quadrilha atua em vários estados.

Números

Marcos Paiva também apresentou números que dão a dimensão do problema. Segundo ele, entre 2010 e 2016 foram 436 sinistros. Quatrocentos e quarenta milhões de reais foram roubados. Apenas este ano, dez pessoas morreram durante a ação dos criminosos e outras quarenta e seis ficaram feridas.

Paiva, no entanto, ressaltou que o grande número de crimes cometidos não é culpa das empresas de transporte de valores. “Nós estamos brigando com uma força poderosa, que usa armas de guerra e explosivos. É uma dificuldade muito grande pelas limitações. As empresas de transporte de valores são preparadas. Cumprem a regra legal além do limite. Todas as nossas bases são bem preparadas, sem exceção.”

O presidente da ABTV ainda deixou claro para os deputados que se algo não for feito a atividade de transporte de valores, responsável por gerar milhares de empregos e renda, corre riscos de parar. “Hoje, as seguradoras dizem: é uma atividade de risco que não interessa a gente. Se a seguradora deixar de fazer a cobertura securitária, vamos parar. Não tem empresário que vai bancar sabendo que vai perder dinheiro”, alertou Marcos Paiva.

Ascom/Fenavist